quarta-feira, 25 de agosto de 2010


Um sistema de saúde que coloca a vida de seus usuários em primeiro plano.



Milhares de pessoas aguardam nas filas do SUS a espera de uma simples consulta. Usuários de planos de saúde reclamam por não conseguirem ser atendidos em hospitais particulares. Estes são apenas alguns dos principais problemas que norteiam a saúde no Brasil. Os sistemas de saúde andam em crise e quem sofre com tanta negligência é a população.

A saúde brasileira está doente e para remediar esta situação muitos profissionais da classe médica de Campinas se organizaram num projeto alternativo de saúde. Trata-se do Sistema Humanitário de Saúde. O Sihusa nasceu com a proposta de resgatar a relação humanitária entre médicos e pacientes perdida há muito tempo por causa da presença intermediária das operadoras de planos de saúde.

O Sihusa é uma proposta filantrópica de caminhos alternativos baseada no espírito ético e humanitário, aberta a profissionais da saúde cientes de suas responsabilidades éticas e sociais. Em atividade desde 1995 este sistema alternativo de saúde traz entre suas principais características o acolhimento de pacientes, informações, orientações, encaminhamento do beneficiário e sua família para os devidos tratamentos de saúde, além claro, do atendimento pontual e especializado dentro das diversas patologias clínicas.

Este modelo de sistema de saúde preza pelo respeito à vida, por isto a agilidade nos atendimentos é fundamental. O beneficiário utiliza dos serviços sem burocracia. Quem está doente não pode esperar período de carência para receber cuidados médicos, é pensando na recuperação imediata do paciente que o Sihusa está pronto a oferecer auxílio assim que o paciente de torna um beneficiário. Contudo, os profissionais ligados ao Sihusa entendem que saúde é um bem sublime, mais que recuperar um enfermo os médicos estão preocupados em preveni-los contra doenças através da medicina preventiva.

Para o Sihusa não importa o sexo e nem a idade do beneficiário crianças ou idoso, homens ou mulheres, todos têm o mesmo atendimento pelo mesmo preço. Os valores cobrados são justos, pois estão previstos na tabela da associação brasileira de medicina, ou seja, o paciente efetua o pagamento ao que se refere exclusivamente aos honorários médicos.

Os beneficiários não pagam taxas administrativas de mensalidades e anuidades, pois no Sihusa não existe a figura do intermediário, a relação médio-paciente é direta e transparente.

O Sihusa reconhece que a população que se utiliza de seus serviços devem ser tratadas como pacientes e não como clientes. Por sua vez estes pacientes devem ser tratados como pessoas e não como números. É por isso que cada vez mais médicos e pacientes têm acreditado neste modelo de administração de saúde onde os valores humanos são respeitados e a vida é colocada em primeiro plano.

Por: Marcelo Maropo.

domingo, 6 de junho de 2010

Carta do Zé agricultor para o Luís da cidade.

    O texto que segue abaixo é uma sátira à ação destruidora do homem ao meio ambiente. A autoria do texto é desconhecida. Retirei de uma comunidade do Orkut. Segue na íntegra:



Carta do Zé Agricultor para Luis da Cidade

Luis, quanto tempo!

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite

De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.

To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?


Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender

no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem

fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia,isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor.

Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pran fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava

morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.

*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.) *

Fonte= desconhecida - texto retirado de uma comunidade do Orkut.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Brasil, Show de Bola!

   Como é triste ser brasileiro em época de copa do mundo. É melancólico. É vergonhoso. É comum.
   Em que me adianta sentar e ver o brasil jogar e fechar os olhos para o Brasil?
   Qual é o fundamento em torcer para a seleção nos jogos da copa?
   Patriotismo?
   Qual é o conceito de patriotismo?
   Por ventura vou eu levantar o troféu?
   É fácil torcer por uma seleção de futebol, é cômodo, é comum. Mas quem vai torcer pelo seu Antônio à procura de um emprego?
   Quem vai torcer pela dona Maria que tem que ajuntar latinhas de refrigerante e vendê-las para sobreviver?
   Quem vai torcer pela dona Joana que ficou viúva após seu marido ter sido atingido por uma bala perdida disparada pela polícia?
   Quem vai torcer pelo seu José que passou dos quarenta anos e está desempregado, velho demais para o mercado de trabalho e jovem demais para se aposentar?
   Quem vai torcer pela dona Tereza que teve sua casa levada pela água das chuvas?
   Quem vai torcer pelo seu Luiz que tem que enfrentar uma fila no posto de saúde para marcar uma consulta e esperar dois meses para ser atendido?
   Quem vai torcer para que o salário mínimo dos aposentados dê ao menos para os remédios?
   Quem vai torcer para que o nome muitos trabalhadores não se sujem por não conseguirem quitar o carnê da televisão que compraram para a copa?
   Bem amigos brasileiros, a mídia nos aponta que futebol é importante e nos faz consumir futebol. O esporte é muito importante sim, mas para ser praticado, pois é saudável. Mas qual é a importância de consumi-lo como um mega show? Do que adianta ver um "ola" e escutar em um só coro o grito de gol? E para que me servirá aquela taça tão almejada na mão de um capitão da seleção? Grande é o salario dos jogadores, porventura eles vão pagar minhas contas?
    Qual é a importância do hexacampeonato? Vai mudar a minha situação sócio-econômica?
    Belo é o hino nacional brasileiro, talvez e há quem afirma ser o mais bonito do mundo, porém se não tocasse este hino nos jogos de futebol em especial nos jogos da seleção, poucos brasileiros saberiam da sua existência. Pois os cidadãos brasileiros só lembram do patriotismo quando o Galvão Bueno berra: "aguenta coração, bem amigos da rede Globo...vamos a execução do hino nacional".
   Inventaram até reinado para o futebol brasileiro. Quanta futilidade. Quem sustenta seu reinado? Será só seu talento? Será a mídia? Será o seu carisma? Será que este reinado foi real algum dia? Ou nos fizeram engolir este rei, assim como nos fizeram engolir tantas potestades do poder?
   Ora torcedores patriotas, cultivar os verdes das florestas não será muito mais patriotismo do que vestir uma camisa oficial da seleção em jogos do brasil na copa? Claro que é, mas quem se importa com isto?
   É lamentável que uma bandeira tão bonita como a da pátria brasileira seja usada e lembrada só em um mês a cada quatro anos e ainda para idolatrar uma hipocrisia.
   É triste viver em um país onde a população é alienada pelo estrelato de uma seleção de futebol vencer uma copa. É deprimente ver uma pessoa se alternado ou até mesmo chorando quando vê a seleção perder um jogo ou mesmo a copa.
   É vergonhoso ver milhões de pessoas xingar a mãe de um juiz de futebol porque este cobrou uma arbitrariedade que não convinha.
   O mais deplorável é quando uma seleção faz a população de um pais inteiro ficar com cara de idiota ao vender o primeiro lugar do campeonato mundial de futebol.
   Ano eleitoral, quem é que está interessado em quem vai vencer a disputa pela presidência? Afinal político é tudo igual, o que realmente importa é vencer a copa. O que importa é ganhar mais uma estrelinha na camisa do brasil. Dane-se quem será a bola da vez no palácio da presidência.
   Olha que coisa mais valiosa, somos o pais do futebol! Não viveríamos sem este título, não é mesmo? Não sei como os Estados Unidos consegue subsistir sem um título tão importante como este que temos.
   Ai está! País do futebol! Mas futebol de quem? Para quem está valendo o título? Quem paga por este título?
   Infelizmente eu vivo no país do futebol, ou felizmente não é? Pois poderia ser pior, poderia estar vivendo no país da guerra.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Kit de sobrevivência para brasileiros.

   Olá pessoal,
recebi um email esta semana o qual achei muito interessante, contuntente, engraçado e um retrato da realidade. Trata-se de uma crítica social muito bem elaborada. Quero dividí-lo com vocês. Segue na íntegra.



Vai transar?
O governo dá camisinha.


 
Já transou?
O governo dá a pílula do dia seguinte.


Teve filho?
O governo dá o Bolsa Família...

 


Tá desempregado?
O governo dá Bolsa Desemprego..

Não tem terra?
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.



RESOLVEU VIRAR BANDIDO E FOI PRESO?
Desde de 1º/1/2010 O GOVERNO DÁ O AUXÍLIO RECLUSÃO?

Esse auxílio é novo: todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, é de R$798,30 "por filho" para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso.

Não acredita?
Confira no site da Previdência Social.

Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!


 Trabalhe duro, pois milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você.

Se vc é brasileiro passe adiante.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

É possível vencer a grande mídia?

Não. Não acredito que o jornalismo comunitário tenha ou venha a ter a força necessária para vencer a grande mídia. Acredito que existe a boa vontade por parte de alguns profissionais, mas não existe e talvez nem venha a existir força ou meio efetivo para vencer, enfraquecer ou mesmo contestar a grande mídia.
Não que vencer a grande mídia seja utópico, mas é presunçoso, primeiro porque a própria comunidade não se envolve de maneira efetiva com os profissionais da comunicação, infelizmente já estão alienados pela grande mídia, são pessoas que “pensam comum”.

Ainda que exista um trabalho plausível por parte de profissionais da comunicação em reeducar a comunidade e condicioná-las a contestar a mídia convencional o povo se renderiam a primeira escalada sensacionalista dos telejornais e reproduziria o fato como verdade absoluta, isto porque a telenovela das 21h estará lá para implicitamente ditar que a vida é assim como ela é.

Segundo, ainda que a ideologia de combater a grande mídia existe, não se pode ignorar que mesmo um jornalista justiceiro tem seus próprios interesses, ou combater a mídia convencional não é mais um interesse? Sim, pode ser. Combater a mídia convencional não deixa de ser um interesse, não deixa de ser um partido, não deixa de ser um lado ou posição. Como a imprensa alternativa pode condenar uma empresa Y de comunicação de ser partidária se o comunitário jornalzinho X não colocou como pauta o tráfico de armas e drogas do bandido que apóia o jornalismo dentro da favela?

Terceiro, porque ainda que a comunidade se envolvesse e desse crédito ao trabalho de “formiguinha” de algum jornalista aventureiro e “rebelde” que conseguisse trabalhar com um jornalismo verdadeiramente objetivo e imparcial, esbarrariam no escudo da grande mídia, a saber, o capitalismo, isto devido a se vender a patrocinadores, governantes e empresários ou mesmo por não ter capital para se fazer forte.

Mas como já foi dito anteriormente, combater este gigante não é utópico, quem quiser ser contencioso que tente, ora, Davi que era pequeno em estatura venceu o gigante Golias.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Melhor Presente.

   Olá pessoal,

eu fiz a leitura do texto abaixo em um livro de Daniel Carvalho Luz e quero dividí-lo com vocês. Este texto nos faz refletir o quanto podemos ajudar as pessoas no simples ato de dar atenção e um ombro amigo.

  Boa leitura!


O Melhor Presente                        

LUZ, Daniel C. "Insight".DVS, São Paulo, 2001.

Freqüentemente nos vemos em dificuldades para saber que presentes daremos a nossos amigos e queridos em ocasiões especiais. Para algumas pessoas (especialmente as que “têm tudo”), os presentes padronizados, comuns, são um tanto desprezíveis. Nada nas lojas chama nossa atenção de modo especial.

Tenho uma sugestão. Pode não parecer caro, nem original, mas creia-me, funciona sempre. Trata-se de um destes presentes que têm imenso valor, sem ostentar uma etiqueta de preço. Não pode ser perdido nem esquecido. Não há problemas com tamanhos, tampouco. Adapta-se a todas as formas, idades e personalidades. Este presente ideal é...você mesmo. Na sua busca pela excelência, não se esqueça do valor do altruísmo.

Isso mesmo: dê um pouco de você mesmo para os outros.

Dê uma hora de seu tempo para alguém que precisa de você. Envie uma nota de encorajamento a alguém que está desanimado. Faça um ato de bondade a alguém obscuro e esquecido.

Teddy Stallard era excelente concorrente ao título de “esquecido”. Não se interessava pela escola. Usava roupas velhas, amarfanhadas, nunca penteava os cabelos. Era um desses meninos na escola que exibiam uma face desconsolada, sem expressão, um olhar enevoado, sem foco definido. Quando a professora, Srta. Thompson, falava ao Teddy, ele sempre respondia com monossílabos. Era um camaradinha distante, destituído de graça, sem qualquer motivação, difícil de a gente gostar. Embora a professora dissesse que gostava de todos da classe por igual, bem lá dentro ela não estava sendo muito verdadeira.

Sempre que ela corrigia as provas de Teddy, sentia certo prazer perverso em rabiscar um X ao lado das respostas erradas, e ao lascar um zero no topo da folha, fazia-o com certo gosto. Ela tinha obrigação de conhecer melhor o Teddy; os dados do menino estavam com ela. A professora sabia mais sobre ele do que gostaria de admitir. O currículo do garoto era o seguinte:

1ª série – Teddy promete muito, quanto ao rendimento escolar e atitudes. Situação doméstica má.

2ª série – Teddy poderia melhorar. A mãe está muito doente. O menino recebe pouca ajuda em casa.

3ª série – Teddy é bom aluno, mas sério demais. Aprende devagar. É lento. A mãe morreu este ano.

4ª série – Teddy é lento, mas tem bom comportamento. O pai é desinteressado de todo.

Chegou o dia dos professores. Meninos e meninas da classe da Srta. Thompson lhe trouxeram presentes. Empilharam os pacotinhos na mesa da professora e rodearam-na, observando-a enquanto os ia abrindo. Entre os presentes havia um, entregue por Teddy Stallard. Ela ficou surpresa ao ver que ele havia trazido um presente. Mas, trouxera mesmo. O presente dele estava enrolado em papel pardo e fita colante, no qual ele escrevera umas palavras simples: “Para a senhorita Thompson – do Teddy.” Quando ela abriu o pacote de Teddy, caiu sobre a mesa um bracelete vistoso, feito de pedras semelhantes a cristais, metade das quais já havia desaparecido, e um frasco de perfume barato.

Os meninos e meninas começaram a sufocar risadas, exibindo sorrisos afetados por causa dos presentes de Teddy. Contudo a Srta. Thompson pelo menos teve bom senso suficiente para silenciá-los ao por no pulso, imediatamente, o bracelete e um pouco de perfume. Colocando o pulso à altura das narinas das crianças, para que cheirassem, ela perguntou: “Não é delicioso este perfume?” As crianças, seguindo a pista deixada pela mestra, imediatamente concordaram com “uuu!” e “ôôô!”

Terminada a aula, após as crianças terem ido embora, Teddy demorou-se e foi ficando. Muito lentamente, ele se aproximou da professora para dizer-lhe:

- Senhorita Thompson...senhorita Thompson!, a senhora tem o mesmo cheiro de minha mãe..., e o bracelete dela ficou bonito na senhora, também. Fiquei contente porque a senhora gostou dos meus presentes.

No dia seguinte quando as crianças voltaram à escola, foram recepcionadas por uma nova professora. A senhorita Thompson se tornara uma pessoa diferente. Já não era a mesma. Passou a ajudar todas as crianças, especialmente Teddy. Pelo fim daquele ano escolar, Teddy mostrava uma melhora dramática. Alcançara a maior parte dos alunos e chegou a ficar à frente de alguns deles.

A senhorita Thompson não recebeu notícias de Teddy durante longo tempo. Então, um dia, entregaram-lhe uma carta:

“Querida Srta. Thompson:

Eu quis que a senhora fosse a primeira a saber.
Estou me formando em segundo lugar em minha classe.

Com muito amor,
Teddy Stallard.”

Quatro anos mais tarde, ela recebeu nova carta...





“Querida Srta. Thompson:

Disseram-me há pouco que sou o primeiro aluno da classe. Estou me formando este ano. Quis que a senhora fosse a primeira a saber. A universidade não tem sido fácil, mas eu gosto.

Com muito amor,
Teddy Stallard.”

Mais quatro anos depois...

“Querida Srta. Thompson:

A partir de hoje, sou Theodore Stallard, doutor em medicina. Que acha? Eu quis que a senhora fosse a primeira a saber. Vou casar-me no mês que vem, para ser exato, no dia 27. Quero que a senhora venha e se sente onde minha mãe se sentaria se ela fosse viva. A senhora é a única pessoa da família que tenho, agora. Meu pai morreu no ano passado.

Com muito amor,
Teddy Stallard.”

A Srta. Thompson foi àquele casamento e sentou-se onde a mãe de Teddy teria sentado. Ela o mereceu. Havia feito pelo Teddy algo que ele jamais esqueceria.

Que é que você poderia dar como presente? Em vez de simplesmente dar uma coisa, dê algo que sobreviva a você mesmo. Seja generoso. Dê a si mesmo a algum Teddy Stallard, “um destes pequenos” a quem você pode ajudar a se tornar um dos grandes.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Três defeitos e três qualidades?

   É comum em entrevista de emprego nos depararmos com a pergunta que dá título a esta postagem. Hoje mesmo fui supreendido com tal questionamento. Na hora não consegui achar respostas plausíveis e pensei o quanto é difícil falar de nós mesmos. Falar dos outros é muito mais fácil e até prazeroso, diga-se de passagem. Fazer juízo da vida alheia é muito mais natural, achar defeitos em nós mesmos é um exercício de quebrar o ego, é ter que encarar o espelho da personalidade e do caráter.
  Contudo, balbuciei algumas palavras sem muito efeito.  Coloquei como um defeito a ansiedade e como qualidade apontei a tentativa de ser sincero com as pessoas.
  Terminada a entrevista a caminho de casa comecei a meditar no quanto somos superficiais em analisarmos a nós mesmo. O quanto não enxergamos o que há de bom e de ruim em nós. Isto mostra o quanto não nos conhecemos. Muitas vezes não sabemos se realmente somos amigos, se somos sinceros, se somos ágeis, inteligentes, e também não conseguimos dimensionar o quanto somos estressados, egoístas, anciosos entre outros defeitos.
  Não conseguimos listar três defeitos e três qualidades nossas, mas se nos pedirem para citar uma centena de defeitos e qualidades alheias não nos faltará adjetivos.
  Escrevendo este texto acabo de diagnosticar um defeito meu, o defeito de ter facilidade em apontar o erro do outro. E acabo de conhecer uma qualidade minha, a de reconhecer o meu defeito.
  Acho que já é um bom começo!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Dom Gratuito do Jornalismo.

Por: Marcelo Maropo.*

O fim da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista chegou até a mim depois de um cansativo dia. Pela manhã fui para o trabalho, e não na área. À tarde fui até um evento para captar imagens para a realização do meu trabalho de conclusão de curso. E logo à noite fui até a faculdade para entregar os comprovantes de atividades complementares do curso.
Confesso que foi revoltante ver aquela notícia no Jornal Nacional. O jornal ainda nem tinha acabado quando me vi em um dia nublado, com onze anos de idade, na quinta série do ensino fundamental. Lá estava eu na escola Estadual Professor Benevenuto Torres. Era hora do intervalo. Eu e meus colegas, a Gislaine, o Leandro e a Zenaide estávamos sentados junto à cerca no fundo da escola. Foi quando a Gislaine me perguntou qual faculdade eu iria cursar. Qual profissão eu iria seguir. Não pensei duas vezes. A resposta sempre esteve pronta. Embora minha mãe sempre quisesse que eu fosse um médico eu não hesitei em responder com a boca cheia JOR-NA-LIS-MO. E na verdade eu não consigo nem me lembrar de onde veio esta decisão por jornalismo. Acho que desde muito pequeno. Mas já naquele momento esta era a profissão que eu me formaria. Sempre digo, quando me perguntam, que eu não escolhi a profissão, mas foi ela que me escolheu. Pois nunca tive a oportunidade de pensar qual profissão eu queria fazer. Sempre foi jornalismo e ponto final.
Não demorou muito o Jornal Nacional acabou. Jantei. Depois de algum tempo fui para o banho e cama. Não dormi logo, demorei muito para pegar no sono. Fiquei inquieto. Comecei a meditar sobre a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal e o descaso com que trataram a minha profissão. Comecei a me questionar. Ora, eu sabia que não era uma estúpida decisão tomada por meia dúzia de homens insensatos que me faria perder a paixão pelo jornalismo.
Recordei-me do primeiro dia de aula com o professor Roni. A aula foi expositiva. O professor Roni começou a falar do curso, da profissão, falou o que é ser jornalista, e contou um pouco das suas experiências profissionais. Naquele momento senti o jornalismo gritar dentro de mim e dizer “ei, estou aqui”.
Percebi que o jornalismo era algo muito além do que uma profissão. E é bem isto. O jornalismo é algo que vai além de um diploma, é algo que vai além de técnicas e muito além da cadeira de uma universidade. Hoje consigo ver que esta profissão é um talento que independe da vontade do individuo. A pessoa, raras pessoas, nasce e é agraciado com este dom.
E o diploma? Ah o diploma é apenas uma forma com que os profissionais da categoria encontraram de ajudar a regularizar a profissão. Foi uma forma de ajudar a segurar um mercado para estes profissionais.
Ora, jornalismo não é somente saber escrever. Escrever um acadêmico em letras tem condições incontestáveis de fazer muito bem, e até mesmo melhor. Jornalismo não é saber falar bem e com boa dicção, isto um fonoaudiólogo faz e ainda ensina ao jornalista. Ser jornalista não é ter boa postura frente às câmeras de TV, neste quesito os atores dão aulas. Ser jornalista não é entender as regas do futebol, afinal cada brasileiro se senti um pouco técnico deste esporte. Ser jornalista não é entender de política e de economia, para cada uma destas áreas existe profissionais altamente capacitados para falar, contextualizar e analisar. Ser jornalista não é saber dominar um microfone quer seja no rádio ou na televisão, os locutores e animadores de programas o fazem muito bem.
O jornalismo é uma inquietude que aguça dentro do ser do jornalista. É uma busca constante. É a tentativa de representar a sociedade. É a tentativa de saciar os anseios de um povo. É a procura pela resposta que falta. É o desejo de mostrar que há uma saída. É a insatisfação com o que parece que está perfeito, mas sabe que no fundo alguma coisa pode ser mudada. Não está em apenas dar uma informação, mas espera-se que aquela informação possa traçar novas diretrizes, possa criar novos rumos, abrir novas visões. E acima de tudo é o compromisso com a verdade. O jornalista é um ser inquieto e insatisfeito. Nada para ele está bom. Sempre acha que pode conseguir uma melhor resposta. A melhor matéria da vida do jornalista sempre é a que ele ainda não fez.
O jornalismo a meu ver é tão antigo quanto à prática da prostituição. Ora, o profeta Moisés exercia uma função de jornalista. Ele consultava a Fonte, Deus, e informava a sociedade, o povo cativo no Egito. E sua missão era conduzir este povo para uma sociedade melhor, a saber, a terra de Canaã.
Há muitos jornalistas formados, experientes, e renomados no mercado. Porém sem o dom, sem o talento nato, estes são os profissionais covardes que ocupam as redações e se tornam escravos das linhas editoriais dos respectivos veículos para os quais trabalham. Tornam-se escravos do dead line, servem ao capitalismo, servem ao interesse dos donos dos jornais. São moldados pelo lead. Mas não são capazes de impor os critérios da profissão, não lançam mão da premissa da transparência e da verdade. São o que chamo de pseudo-jornalista. Profissionais com forma, mas sem conteúdo, sem talento, sem dom. Os pseudo-jornalistas tem surgido e se multiplicado. Os jornalistas com sede da verdade, da liberdade e da utópica vontade de mudar o mundo são sufocados. Quando os jornalistas natos chegam às redações, algum profissional sem amor a profissão já passou por lá antes e deixou uma marca, a marca do “preencha as lacunas e ponto”. E são sufocados. Se o dom falar mais alto dentro de si, coitado, não vai muitas matérias e a demissão é certa. Afinal o mercado é competitivo. Existe um monte de jornalistinhas mecânicos por ai querendo uma vaga para preencher as lacunas.
O que falta é coragem para os jornalistas, os jornalistas de verdade. Falta traçar critérios para assegurar a liberdade para exercer a profissão como ela merece ser exercida. Pois responder as perguntas: O que? Qual? Quando? Por quê? Como? Onde? Isto é fácil. Isto qualquer cozinheiro é capaz de fazer. O que a sociedade quer e merece são profissionais que possam reportar os fatos com a inquietude característica da essência do verdadeiro jornalismo.
Não que não existam profissionais com o jornalismo nato, mas estão por ai, perdidos, assim como sugere Ciro Marcondes Filho em a Saga dos Cães Perdidos. O autor coloca que a atividade dos jornalistas tem se desintegrado por conta de forças extraordinárias e hostis. Marcondes Filho diz que o grupo desintegrou-se de forma misteriosa, foi uma desintegração em praesentia, ou seja, se desintegra permanecendo. Que podemos entender com isto? Não me sobra outra alternativa a não ser bater na tecla dos psudos-jornalistas que sufocam os profissionais que tem o jornalismo como algo excelente dentro de si. Mas são tímidos e covardes, ficam no ostracismo.
Somos uma geração de jornalistas sem heróis. Sem falar na soberba intelectual que faz parte da cultura dos falsos profissionais desta profissão. Só porque sabem dominar bem as técnicas do burocrático lead, e dominam profundamente algum assunto, se sentem as pessoas mais sábias do mundo. Bando de hipócritas. Não conseguem enxergar que um cozinheiro é capaz de debater os mesmo temas que eles debatem.
Caríssimos jornalistas, digo aos verdadeiros, fica aqui o convite para reescrevermos nossa nova história. Que tal começarmos pelo lead? Ora, quem somos? O que temos feito para nós mesmo? Quando foi que fracassamos? Quando perdemos as forças? Porque não façamos diferente agora? Onde estão os cães perdidos? Como podemos mostrar que estes cães perdidos ainda latem e mordem?

* Marcelo Maropo é aspirante a jornalista, a jornalista.