quinta-feira, 29 de abril de 2010

É possível vencer a grande mídia?

Não. Não acredito que o jornalismo comunitário tenha ou venha a ter a força necessária para vencer a grande mídia. Acredito que existe a boa vontade por parte de alguns profissionais, mas não existe e talvez nem venha a existir força ou meio efetivo para vencer, enfraquecer ou mesmo contestar a grande mídia.
Não que vencer a grande mídia seja utópico, mas é presunçoso, primeiro porque a própria comunidade não se envolve de maneira efetiva com os profissionais da comunicação, infelizmente já estão alienados pela grande mídia, são pessoas que “pensam comum”.

Ainda que exista um trabalho plausível por parte de profissionais da comunicação em reeducar a comunidade e condicioná-las a contestar a mídia convencional o povo se renderiam a primeira escalada sensacionalista dos telejornais e reproduziria o fato como verdade absoluta, isto porque a telenovela das 21h estará lá para implicitamente ditar que a vida é assim como ela é.

Segundo, ainda que a ideologia de combater a grande mídia existe, não se pode ignorar que mesmo um jornalista justiceiro tem seus próprios interesses, ou combater a mídia convencional não é mais um interesse? Sim, pode ser. Combater a mídia convencional não deixa de ser um interesse, não deixa de ser um partido, não deixa de ser um lado ou posição. Como a imprensa alternativa pode condenar uma empresa Y de comunicação de ser partidária se o comunitário jornalzinho X não colocou como pauta o tráfico de armas e drogas do bandido que apóia o jornalismo dentro da favela?

Terceiro, porque ainda que a comunidade se envolvesse e desse crédito ao trabalho de “formiguinha” de algum jornalista aventureiro e “rebelde” que conseguisse trabalhar com um jornalismo verdadeiramente objetivo e imparcial, esbarrariam no escudo da grande mídia, a saber, o capitalismo, isto devido a se vender a patrocinadores, governantes e empresários ou mesmo por não ter capital para se fazer forte.

Mas como já foi dito anteriormente, combater este gigante não é utópico, quem quiser ser contencioso que tente, ora, Davi que era pequeno em estatura venceu o gigante Golias.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Melhor Presente.

   Olá pessoal,

eu fiz a leitura do texto abaixo em um livro de Daniel Carvalho Luz e quero dividí-lo com vocês. Este texto nos faz refletir o quanto podemos ajudar as pessoas no simples ato de dar atenção e um ombro amigo.

  Boa leitura!


O Melhor Presente                        

LUZ, Daniel C. "Insight".DVS, São Paulo, 2001.

Freqüentemente nos vemos em dificuldades para saber que presentes daremos a nossos amigos e queridos em ocasiões especiais. Para algumas pessoas (especialmente as que “têm tudo”), os presentes padronizados, comuns, são um tanto desprezíveis. Nada nas lojas chama nossa atenção de modo especial.

Tenho uma sugestão. Pode não parecer caro, nem original, mas creia-me, funciona sempre. Trata-se de um destes presentes que têm imenso valor, sem ostentar uma etiqueta de preço. Não pode ser perdido nem esquecido. Não há problemas com tamanhos, tampouco. Adapta-se a todas as formas, idades e personalidades. Este presente ideal é...você mesmo. Na sua busca pela excelência, não se esqueça do valor do altruísmo.

Isso mesmo: dê um pouco de você mesmo para os outros.

Dê uma hora de seu tempo para alguém que precisa de você. Envie uma nota de encorajamento a alguém que está desanimado. Faça um ato de bondade a alguém obscuro e esquecido.

Teddy Stallard era excelente concorrente ao título de “esquecido”. Não se interessava pela escola. Usava roupas velhas, amarfanhadas, nunca penteava os cabelos. Era um desses meninos na escola que exibiam uma face desconsolada, sem expressão, um olhar enevoado, sem foco definido. Quando a professora, Srta. Thompson, falava ao Teddy, ele sempre respondia com monossílabos. Era um camaradinha distante, destituído de graça, sem qualquer motivação, difícil de a gente gostar. Embora a professora dissesse que gostava de todos da classe por igual, bem lá dentro ela não estava sendo muito verdadeira.

Sempre que ela corrigia as provas de Teddy, sentia certo prazer perverso em rabiscar um X ao lado das respostas erradas, e ao lascar um zero no topo da folha, fazia-o com certo gosto. Ela tinha obrigação de conhecer melhor o Teddy; os dados do menino estavam com ela. A professora sabia mais sobre ele do que gostaria de admitir. O currículo do garoto era o seguinte:

1ª série – Teddy promete muito, quanto ao rendimento escolar e atitudes. Situação doméstica má.

2ª série – Teddy poderia melhorar. A mãe está muito doente. O menino recebe pouca ajuda em casa.

3ª série – Teddy é bom aluno, mas sério demais. Aprende devagar. É lento. A mãe morreu este ano.

4ª série – Teddy é lento, mas tem bom comportamento. O pai é desinteressado de todo.

Chegou o dia dos professores. Meninos e meninas da classe da Srta. Thompson lhe trouxeram presentes. Empilharam os pacotinhos na mesa da professora e rodearam-na, observando-a enquanto os ia abrindo. Entre os presentes havia um, entregue por Teddy Stallard. Ela ficou surpresa ao ver que ele havia trazido um presente. Mas, trouxera mesmo. O presente dele estava enrolado em papel pardo e fita colante, no qual ele escrevera umas palavras simples: “Para a senhorita Thompson – do Teddy.” Quando ela abriu o pacote de Teddy, caiu sobre a mesa um bracelete vistoso, feito de pedras semelhantes a cristais, metade das quais já havia desaparecido, e um frasco de perfume barato.

Os meninos e meninas começaram a sufocar risadas, exibindo sorrisos afetados por causa dos presentes de Teddy. Contudo a Srta. Thompson pelo menos teve bom senso suficiente para silenciá-los ao por no pulso, imediatamente, o bracelete e um pouco de perfume. Colocando o pulso à altura das narinas das crianças, para que cheirassem, ela perguntou: “Não é delicioso este perfume?” As crianças, seguindo a pista deixada pela mestra, imediatamente concordaram com “uuu!” e “ôôô!”

Terminada a aula, após as crianças terem ido embora, Teddy demorou-se e foi ficando. Muito lentamente, ele se aproximou da professora para dizer-lhe:

- Senhorita Thompson...senhorita Thompson!, a senhora tem o mesmo cheiro de minha mãe..., e o bracelete dela ficou bonito na senhora, também. Fiquei contente porque a senhora gostou dos meus presentes.

No dia seguinte quando as crianças voltaram à escola, foram recepcionadas por uma nova professora. A senhorita Thompson se tornara uma pessoa diferente. Já não era a mesma. Passou a ajudar todas as crianças, especialmente Teddy. Pelo fim daquele ano escolar, Teddy mostrava uma melhora dramática. Alcançara a maior parte dos alunos e chegou a ficar à frente de alguns deles.

A senhorita Thompson não recebeu notícias de Teddy durante longo tempo. Então, um dia, entregaram-lhe uma carta:

“Querida Srta. Thompson:

Eu quis que a senhora fosse a primeira a saber.
Estou me formando em segundo lugar em minha classe.

Com muito amor,
Teddy Stallard.”

Quatro anos mais tarde, ela recebeu nova carta...





“Querida Srta. Thompson:

Disseram-me há pouco que sou o primeiro aluno da classe. Estou me formando este ano. Quis que a senhora fosse a primeira a saber. A universidade não tem sido fácil, mas eu gosto.

Com muito amor,
Teddy Stallard.”

Mais quatro anos depois...

“Querida Srta. Thompson:

A partir de hoje, sou Theodore Stallard, doutor em medicina. Que acha? Eu quis que a senhora fosse a primeira a saber. Vou casar-me no mês que vem, para ser exato, no dia 27. Quero que a senhora venha e se sente onde minha mãe se sentaria se ela fosse viva. A senhora é a única pessoa da família que tenho, agora. Meu pai morreu no ano passado.

Com muito amor,
Teddy Stallard.”

A Srta. Thompson foi àquele casamento e sentou-se onde a mãe de Teddy teria sentado. Ela o mereceu. Havia feito pelo Teddy algo que ele jamais esqueceria.

Que é que você poderia dar como presente? Em vez de simplesmente dar uma coisa, dê algo que sobreviva a você mesmo. Seja generoso. Dê a si mesmo a algum Teddy Stallard, “um destes pequenos” a quem você pode ajudar a se tornar um dos grandes.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Três defeitos e três qualidades?

   É comum em entrevista de emprego nos depararmos com a pergunta que dá título a esta postagem. Hoje mesmo fui supreendido com tal questionamento. Na hora não consegui achar respostas plausíveis e pensei o quanto é difícil falar de nós mesmos. Falar dos outros é muito mais fácil e até prazeroso, diga-se de passagem. Fazer juízo da vida alheia é muito mais natural, achar defeitos em nós mesmos é um exercício de quebrar o ego, é ter que encarar o espelho da personalidade e do caráter.
  Contudo, balbuciei algumas palavras sem muito efeito.  Coloquei como um defeito a ansiedade e como qualidade apontei a tentativa de ser sincero com as pessoas.
  Terminada a entrevista a caminho de casa comecei a meditar no quanto somos superficiais em analisarmos a nós mesmo. O quanto não enxergamos o que há de bom e de ruim em nós. Isto mostra o quanto não nos conhecemos. Muitas vezes não sabemos se realmente somos amigos, se somos sinceros, se somos ágeis, inteligentes, e também não conseguimos dimensionar o quanto somos estressados, egoístas, anciosos entre outros defeitos.
  Não conseguimos listar três defeitos e três qualidades nossas, mas se nos pedirem para citar uma centena de defeitos e qualidades alheias não nos faltará adjetivos.
  Escrevendo este texto acabo de diagnosticar um defeito meu, o defeito de ter facilidade em apontar o erro do outro. E acabo de conhecer uma qualidade minha, a de reconhecer o meu defeito.
  Acho que já é um bom começo!